Transitar da crise aprendendo a descida criativa

A nova Direcção da ART está a envolver progressivamente mais pessoas numa “Iniciativa de Transição”, conjunto de acções integradas que está a ser desenvolvido já um pouco por todo o mundo, e que agora chega a Telheiras.

O primeiro momento, uma fase de reflexão colectiva, começou bem, na última quarta-feira de Outubro, no auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro (BMOR) na Estrada de Telheiras, com todos os lugares ocupados. “Tem 30 segundos para se virarem para o lado ou para trás, preferencialmente para uma pessoa que não conheçam, apresentarem-se e dizer os motivos/expectativas que os trouxeram até aqui esta noite”. Esta indicação da “mesa”, surtiu efeito imediato. Como se houvesse um bichinho dentro das pessoas, o auditório de imediato se transformou num participatório!

E as actividades continuaram. “Levante o braço quem é de Lisboa. Agora quem é de Telheiras. E quem já ouviu falar do Pico do Petróleo? E do Movimento da Transição ou Transition Towns? Quem participa numa horta comunitária? E quem é que aqui sabe plantar algum tipo de vegetais? Quem acha que metade dos produtos que consome são fabricados em Portugal? Quem aqui produz alguma parte da própria energia que produz? Quem aqui utiliza carro todos os dias? (…)”.

O questionamento transformou todos os presentes em protagonistas, acabando com o público passivo. Seguiu-se o visionamento do filme “The End of Suburbia” (O Fim das Cidades Dormitório), e o debate moderado por Tiago Botelho, Luis Queirós e Filipe Matos. O encontro acabou antes do tema, anunciado e publicitado em cartaz, “Há Petróleo em Telheiras? – a Vida na Era Pós-Carbono”, se ter esgotado.

A partir da rede de contactos dos presentes, novos encontros tem vindo a ser realizados na sede da ART, uma sala menor, com grupos mais pequenos, entre 20 e 30 pessoas, mas onde a reflexão continua.

Na última terça-feira 16, por exemplo, o visionamento de “Story of Stuff” (A História das coisas), foi o ponto de partida para reflectir sobre o percurso do berço à cova, dos produtos que usamos. “De onde vem as nossas coisas e para onde vão quando as deitamos fora”, o tema da noite, apesar do afinco do trabalho feito, também não se esgotou.

Mas já outro tema está escolhido para dia 24, a última quarta-feira de Novembro, às 21h no auditório da BMOR. Na palestra “Há pedalada em Telheiras!”, consideram-se as perguntas. “Bicicleta? É possivel? E as colinas? E a transpiração? E o Trânsito? É seguro? E a chuva? E a bagagem? Não há roubos? E os filhos, como os levo á escola? “. “Os oradores, António Cruz, César Marques e o especialista na área da mobilidade, Mário Alves, levam as respostas. Também haverá testemunhos, como o de Cláudia Soares, recém-utilizadora. E uma questão de fundo: “Pode um meio de transporte transformar a vida das pessoas e das comunidades?”

Logo três dias depois, dia 27 do corrente Novembro, a ART faz já um novo convite ao bairro. “S

ábado em Transição”. O encontro está marcado para as 10h e os participantes devem levar luvas. “Como fazer uma espiral de ervas” é o tema, prático, a decorrer no quanteiro junto da sede da Associação. O workshop, vai seguir a filosofia da Permacultura, tema do encontro marcado para o meio-dia, também na sede.

À tarde, na BMOR está marcada uma tertúlia onde, a transição – e não a crise – será o tema. Se o tempo estiver bom a proposta é que os participantes se manten-ham out-door, privilegiando um pic-nic para a refeição do meio do dia.

%d bloggers like this: