2010, Notas do ano que termina (opinião, por Luís Queirós)

Os mercados

Neste ano de 2010, que está a terminar, ganhámos uma nova palavra e um novo conceito que veio enriquecer o nosso vocabulário, o qual,diga-se, tem sido bastante ampliado com a crise: estou a falar dos “mercados”. Esta designação corresponde a uma entidade indefinida, sem rosto, sem endereço de correio, nem número de contribuinte, mas que parece ter uma força extraordinária, como já terá sido constatado pelos nossos governantes e pelos banqueiros, que agora falam dela em cada novo discurso. O seu significado, parece-me, não é entendido pelos portugueses da rua, que vêem os efeitos da crise no seu dia a dia, mas acaba por servir de bode expiatório para a justificar. É que assim já se podem atribuir as culpas a alguém, sem ter de alterar o discurso de base, nem pôr em causa a sua coerência. O sistema económico que vigora no mundo global tem um lógica, e as suas leis são inexoráveis. Eu, que não sou especialista destas coisas e nem sequer sou economista de escola, defini, para meu uso pessoal, umas leis do Liberalismo Económico. E fiz isto, para tentar perceber o que é isso dos “mercados”.

1. Lei do Crescimento Contínuo: Para sobreviver, tens de crescer.

2. Lei da Remuneração do Capital: Uma parte da tua produção tem de servir para remunerar o capital.

3. Lei da Competitividade Global: Para ganhares, tens de ser melhor que os outros.

4. Lei da Selva: Se falhares, ninguém te ajudará.

Estas leis estão inerentes ao próprio sistema, fazem parte intrínseca dele. Uma sofisticada rede de agentes (agências de rating, fundos de investimento, seguros de crédito, …) vigia os actores do sistema para ver se estão em conformidade com as suas leis. Esta rede são os “mercados”, que se limitam a apontar os fracos ou os fora da lei. E nada mais… Fica apenas por explicar quem manda nos mercados.

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