“Quadradinho Verde”

“A propósito da eventual construção de uma nova igreja em telheiras, a Direção da ART emite o seguinte comunicado:

Durante os dois anos de mandato desta Direção, temos assistido a intervenções no bairro de Telheiras que, ou nos aparecem como factos consumados(Mira-Rio e Giras), sem aplicação de medidas corretivas de recurso, ou nos aparecem em projeto que depois de discutido e alterado, não chega a conclusão/execução (zona 30), ou ainda intenções de contenção dos graves problemas urbanísticos de circulação e estacionamento como a criação de parquímetros que tardam em se realizar.

Surgiu ainda outra questão fulcral relacionada com a nova expansão do Metro que priva Telheiras do acesso direto ao centro da cidade.

Aproveitando a evolução das acessibilidades, ao longo dos anos com particular incidência nos últimos, Telheiras tem vindo a ser ocupada por grandes conjuntos edificados, do tipo quarteirão, intrinsecamente mono-funcionais (Escola Alemã, Colégio Mira-Rio), que nada trazem de valor acrescentado ao bairro, uma vez que funcionam de maneira auto-suficiente e fechada, não dialogando com a multi-funcionalidade e multi-culturalidade de Telheiras, que foi na sua raiz e quer continuar a ser predominantemente habitacional.

São grandes equipamentos (mega-equipamentos à escala de Telheiras) que funcionam fundamentalmente para os habitantes de fora de Telheiras, para os quais também contribui o Estádio do Sporting que apesar de não estar no bairro lhe é confinante, e cujo crescimento de atividade tem sido exponencial.

Não trazendo valor acrescentado, trazem no entanto efeitos colaterais muito nefastos de trânsito e estacionamento, que acrescidos aos elencados anteriormente têm transformado o espaço urbano num caos cada vez mais acentuado pondo em risco a sua função habitacional, com escala humanizada.

Acreditamos que o bairro de Telheiras tem caraterísticas urbanísticas únicas que merecia, após mais de 30 anos, um estudo aprofundado por parte da Câmara e a classificação de interesse urbanístico, uma vez que preserva o ideário de uma nova modernidade humanizada do início dos anos 70, e é inclusivo quanto a épocas anteriores, como quarteirões de moradias, ou a Telheiras das Quintas.

Com este enquadramento, esta Direção opõe-se à construção da Nova Igreja para 600 lugares, com Casa Mortuária, acrescida de Centro Paroquial com um grande volume de construção, no local previsto, pelas seguintes razões objetivas:

1. Telheiras já tem uma Igreja histórica, do tempo de Telheiras das Quintas, e tinha um convento que foi ocupado pelo colégio Mira-Rio. Essa Igreja, não só serve perfeitamente as necessidades dos habitantes de Telheiras, como é uma referência de que não poderemos abdicar dada a sua perfeita continuidade dimensional, histórica, religiosa, cultural e urbanística. Consideramos assim que a nova igreja é na sua génese desnecessária para os telheirenses, sendo na prática muito nefasta para o bairro;

2. Consideramos que a nova igreja, para além de desnecessária, é mais uma mega-estrutura á escala do bairro, que servindo os restantes habitantes da cidade, torna o trânsito e o estacionamento infernais para os habitantes de Telheiras;

3. Essas condições seriam ainda agravadas pelo facto da implantação da nova estrutura ser confinante com uma Escola e um Jardim de Infância. O que iria acontecer nas horas criticas de tomada e largada de passageiros, que coincidirá com o funcionamento da Casa Mortuária? Nada de bom certamente;

4. E faz sentido implantar uma casa mortuária junto de uma escola e um Jardim de Infância? Consideramos que não;

5. Desconhecendo o Programa do Centro Paroquial, questionamos também a sua necessidade para os habitantes de Telheiras, configurando-se no entanto com uma volumetria esmagadora à escala do bairro, dentro da linha do mega-edificado destinado aos restantes habitantes da cidade, contribuindo mais uma vez para o impacto destrutivo da circulação e estacionamento.

Aproveitando a instalação de serviços da JFL no Lagar, que confirma uma centralidade emergente nessa área do bairro para o que contribuem equipamentos existentes, bem dimensionados à escala de Telheiras, pedimos que os organismos competentes da Junta de Freguesia do Lumiar (JFL) e da Câmara Municipal de Lisboa (CML) travem a construção de uma Nova Igreja e que planeiem e executem urgentemente a salvaguarda de uma urbanidade vivida por esta comunidade que habita e desenvolve as suas atividades em Telheiras.

Acresce ainda o facto de ser a zona agora em debate, um marco na luta dos habitantes de Telheiras ao seu direito de mais um “Quadradinho Verde” no bairro (Tese defendida nos anos noventa por Ana Contumélias, disponível para consulta na sede da ART).

Pedimos também aos Telheirenses que compareçam ativamente na sessão de esclarecimento promovida pela JFL no próximo dia 15 do corrente, às 21h, na Biblioteca Orlando Ribeiro.

Com os maiores agradecimentos às promotoras da petição “Oposição à intervenção urbanística prevista para o terreno adjacente ao JIT e à EB1 de Telheiras”.

A Direção da ART”

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5 Responses to “Quadradinho Verde”

  1. Fernando Ávila says:

    Estou completamente de acordo com o artigo do quadradinho verde.Basta de betão em Telheiras! Fernando Ávila

  2. Inês Fonseca says:

    Concordo que Telheiras não precisa de mais Igrejas. Queremos manter a que temos que pertence ao património de Telheiras. Aliás mesmo para os praticantes o espaço é suficiente. Concordo plenamente com tudo o que está escrito no artigo que a ART nos enviou. Conto estar n Assembleia e espero que a ART também possa estar porque a ART é a Associação que nasceu para defender os direitos dos residentes de Telheiras e assim tem feito na medida do possível. Todos juntos podemos mais

  3. Carlos Teixeira says:

    Não é aceitável a construção de uma igreja a 250 m de outra já existente.
    O terreno em questão deveria servir de apoio às duas escolas que se situam no espaço envolvente .
    O estacionamento já difícil para os residentes seria seriamente agravado.
    Entendo que a Junta de Freguesia se deveria opor à referida construção .
    Cumprimentos

  4. Maria João Carvalhão Duarte says:

    Perfeitamente de acordo. Queria só acrescentar que, para além da excessiva ocupação do solo, dos problemas de segurança das Escolas (acessibilidade dos bombeiros, por ex, afastamentos mínimos a equipamentos escolares, etc), dos problemas de acessibilidade (transito e estacionamento gerados por este complexo), da volumetria proposta, impermeabilização do terreno e do programa (igreja, centro cívico, estacionamento para 80 viaturas, sala conferências, casas mortuárias, salas para festas, ATLs, armazéns, centro da 3ª idade…):
    1- penso que se deveria abrir a passagem pedonal desnivelada que permitiria às crianças das Escolas acederem à BMOR muito mais facilmente;
    2- estes espaços não servirão toda a população, porque conectados com uma ideologia religiosa (famílias de outras crenças ou ateias poderão não querer frequentar o complexo);
    3- existem outros terrenos (da Estamo? Terreno “Maria Droste”) onde um programa tão vasto poderia ser melhor implantado.

    • Álvaro Soares says:

      Bom dia Maria João,

      Faço parte da direcção da ART e agradeço a sua ideia expressa no ponto 1. Os viadutos são uma particularidade urbana de Telheiras, fazem parte da sua identidade e são sempre bem vindas ideias para a sua utilização.

      A ART já apresentou uma ideia para a ocupação do viaduto em frente ao Lagar em Orçamento Participativo que infelizmente não foi posta a votação.

      Se possível, gostaria que me enviasse a localização do terreno que refere no Ponto 3 como “Maria Droste”.

      Seria importante para a ART que participasse na sessão de hoje na BMOR.

      Até logo (Espero)

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