Alterações Climáticas

alteracoes_climA Conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas,  reuniu recentemente em Paris representantes de quase todos os países do planeta. A Conferência ocorreu pela vigésima primeira vez desde a Cimeira da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Na sessão inaugural, estiveram em Paris os líderes dos principais países do planeta, o que mostra a importância atribuída a esta questão. Na verdade, o problema das alterações climáticas já não pode ser ignorado, nem relegado para segundo plano, tal o impacto que pode vir a ter sobre o nosso próximo futuro coletivo. Mas, estamos muito longe de encontrar soluções e reunir consensos.

No essencial, estamos perante um dilema. Se continuamos a lançar para a atmosfera gases com efeito de estufa a sua temperatura média vai aumentar, e as consequências, possivelmente irreversíveis, daí decorrentes – extinção de espécies, subida do nível dos oceanos, ocorrência de fenómenos climáticos extremos, escassez de água potável, prejuízos na agricultura, deslocações de populações – terão fortes impactos na economia. Mas, se deixarmos de fazer essas emissões vamos pôr em causa o crescimento, e com isso agravar o desemprego, criando condições para o ressurgimento de uma nova e severa crise económica que todos querem evitar.

As alterações climáticas provocadas pela atividade humana são, já hoje, um fenómeno de indiscutível evidência. Elas surgem como consequência direta ou indireta do uso dos combustíveis fósseis, que se iniciou com a Revolução Industrial no início do século XIX e se acelerou durante o século XX, sobretudo, após o final da Segunda Guerra Mundial. Energia, economia e alterações climáticas estão correlacionadas. Existe a convicção amplamente difundida de que a mitigação do aquecimento global estará na adoção generalizada de formas não poluentes de produção de energia. Isso tem vindo a ser feito com recurso à energia nuclear, à energia hídrica, à energia eólica e à energia solar. Estas duas últimas formas têm vindo a ganhar importância na geração de energia elétrica, e são promissoras. Mas, elas ainda não fizeram infletir, a nível mundial, a tendência sempre crescente do aumento do consumo da energia fóssil. É certo que nos países da OCDE já se verifica a estagnação ou até a uma diminuição desse consumo. Porém, isso está a ser conseguido por virtude de uma desaceleração do crescimento económico, e pela deslocalização de muitas indústrias poluentes para fora daquele espaço geográfico.

Sinceramente, não vejo saída para o dilema. A consciência da gravidade do problema já é importante, mas, só por si, isso não chega. Não será a consciência das alterações climáticas que reduzirá o consumo de combustíveis fósseis; mas, sim, a sua escassez. Grandes zonas do planeta – nomeadamente a Índia, a China e o Paquistão – estão longe de atingir os consumos energéticos per capita dos países ocidentais. O petróleo, pela sua importância na mobilidade será o mais sensível. Quando a China atingir a capitação no consumo de petróleo da Coreia do Sul ou do Japão, será necessário extrair, a nível mundial, mais 30% de crude para responder ao excesso de procura.

Em 1997, os objetivos de Kyoto em reduzir as emissões de CO2 falharam. Em 2009, a conferência de Copenhaga ficou longe dos seus propósitos. Em 2015, os delegados à Conferência de Paris pretendem limitar a 2º Celsius o aumento médio da temperatura global até 2100. O sucesso desta Conferência só será avaliado daqui a algumas dezenas de anos. Possivelmente, tarde demais.

Luís Queirós

Direção da ART

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